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Doenças Sexualmente transmissíveis


1. Introdução

O aumento da incidência das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) representa um importante problema de Saúde Pública, com um elevado peso socio-económico,
quer pela significativa morbilidade e mortalidade que provocam em indivíduos jovens, quer pelas consequências nefastas que podem ter a nível da saúde
materno-infantil.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima em 250 milhões o número de novos casos de DST por ano, em todo o mundo.

Frequentemente subvalorizadas do ponto de vista clínico e em termos de Saúde Pública, as DST podem provocar infertilidade, gravidez ectópica, malformações
fetais ou infecções neonatais.



2. Uma Perspectiva histórica

Nos excertos bíblicos e nos escritos dos povos do Extremo-Oriente, dos gregos e dos romanos, existem provas evidentes de que já então eram conhecidas doenças
relacionadas com o contacto sexual.

A gonorreia é uma doença muito antiga e descrições da mesma foram encontradas em escritos do imperador chinês Huang Ti de 2637 AC. No Antigo Testamento,
encontram-se algumas alusões aos sintomas da blenorragia. Nas escavações de Pompeia, encontraram-se reproduções de aparelhos para irrigações uretrais e em
vários textos da Idade Média há descrições clássicas das manifestações daquela doença.

É extraordinariamente difícil deduzir das descrições das ulcerações genitais se trata de lesões sifilíticas ou outras ulcerações. Cafler e Wong afirmam que, nas
obras médicas chinesas do século VII AC, existem descrições de lesões ulcerosas dos genitais, sem dúvida de origem sifilítica.

Gulte afirma que as descrições bíblicas da peste de Moah, devem seguramente, corresponder a sífilis. Pinturas do Leste Europeu, conservadas em Cracóvia e
anteriores ao descobrimento da América, retratam uma afecção que evoluía por surtos, tratando-se, muito provavelmente, de sífilis.

Em resumo, parece evidente a existência de sífilis no Velho Mundo antes da descoberta da América, embora fosse uma afecção pouco frequente e sem a
importância da epidemia sifilítica do século XVI.

Quer se aceite ou não a origem americana da sífilis, não há dúvida que esta alcançou enorme difusão na Europa a partir dos últimos anos do século XV,
coincidindo com o regresso das expedições de Cristóvão Colombo e com a participação das forças espanholas, onde figuravam vários acompanhantes de
Colombo, nas guerras de Nápoles. As primeiras descrições do novo mal devem-se a Marcellus Cumanus e Alexander Benedictus, que tiveram ocasião de o observar
durante a batalha de Formino.

Uma descrição total da sífilis clínica foi publicada, em 1530, por Jerónimo Fracastori, num poema intitulado "Syphilis sive Morbus Gallicus".

A partir do século XVI, a sífilis difundiu-se rapidamente na Europa, chamando-lhe os franceses "mal napolitano" e os italianos "mal espanhol". Como
consequência da gravidade da sua disseminação, a sífilis foi considerada durante dois séculos a única doença venérea. Só mais tarde Bell, com as suas
observações, diferenciou as duas doenças: sífilis e gonorreia.

Nos finais do século XIX (1879), Albert Neisser descobriu o agente responsável pela blenorragia e baptizou-o com o nome de gonococo. Em 1905, Schaudin e
Hoffman descobriram o Treponema pallidum, o agente da sífilis. A genial descoberta da penicilina por Fleming em 1922 e, posteriormente, a sua utilização
contra o Treponema pallidum e o gonococo, permitiram obter a primeira grande vitória sobre estas doenças venéreas, de tal modo que muitos acreditaram que
elas viriam a desaparecer da face da terra.



3. DST´s causadas por bactérias

As doenças venéreas que são causadas por bactérias são a gonorreia, a infecção por clamídia, a sífilis e a úlcera mole venérea. Todas elas podem ser curadas,
se forem tratadas adequadamente.



INFECÇÃO GONOCÓCICA, GONORREIA OU BLENORRAGIA (designação popular - esquentamento)

A gonorreia é causada por uma bactéria chamada Neisseria gonorrhoeae ou gonococo, que pode viver nas membranas mucosas que protegem a garganta, o colo
do útero, a uretra ou o ânus.

No homem, a doença surge normalmente três dias após a relação sexual infectante. Manifesta-se por ardor ao urinar, corrimento amarelado ou pus no canal urinário,
por vezes com cheiro fétido. Na mulher, a infecção por gonococo localiza-se habitualmente no colo do útero e pode não provocar sintomas.

O tratamento correcto cura a doença rapidamente.



INFECÇÃO POR CLAMÍDIA

A infecção por Chlamydia trachomatis é semelhante à gonorreia. O local da infecção depende do tipo da relação sexual que originou o contágio. No homem,
aparece corrimento uretral escasso, ardor mais ou menos intenso ao urinar, sintomas estes mais frequentes de manhã. Na mulher, na grande maioria dos casos,
a infecção não produz sintomas, podendo ocasionar corrimento ligeiro. No entanto, se a infecção não for tratada a tempo, pode alastrar, ocasionando uma
inflamação nas trompas e nos ovários, que por vezes originam infertilidade.
Actualmente existem tratamentos que permitem curar a infecção por clamídia.

A associação das duas infecções, por gonococo e por clamídia, é frequente, pelo que se aconselha o tratamento simultâneo de ambas.



SÍFILIS(designação popular - cancro duro)

A sífilis é uma doença venérea que tem repercussões gerais no organismo.
Cerca de três semanas após o contacto sexual com uma pessoa infectada, surge uma ferida não dolorosa, localizada nos órgãos genitais, na boca ou no ânus,
conforme o tipo da relação sexual infectante. Acompanha-se de um aumento dos gânglios linfáticos regionais (ínguas), que se tornam duros e geralmente não
dolorosos. Na mulher, esta ferida ou ulceração pode localizar-se na vagina ou no colo do útero e, por isso, não é apercebida.

Algumas semanas depois, mesmo sem tratamento, as feridas cicatrizam, mas a infecção continua no organismo.

Semanas ou meses depois, aparecem manchas no corpo, que caracteristicamente atingem as palmas das mãos e plantas dos pés. As manchas não dão prurido e podem
acompanhar-se de febre, mal estar, dor de garganta e rouquidão. Também neste estado, chamado período secundário sifilítico, os sintomas podem desaparecer sem
tratamento, permanecendo no entanto a infecção.
As grávidas infectadas podem transmitir a doença ao seu filho, causando-lhe sífilis congénita.

Se recorrer ao médico, o tratamento da doença é simples e eficaz.



ÚLCERA MOLE VENÉREA OU CANCRÓIDE(designação popular - cancro mole)

Esta infecção é causada pela bactéria chamada Haemophilus ducryei e manifesta-se por uma ou mais feridas com pus nos órgãos genitais, cerca de uma semana após o
contacto infectante. São geralmente bastante dolorosas e acompanham-se de tumefacção dos gânglios regionais, que se tornam também dolorosos e podem
evoluir para abcesso que, se não for efectuado tratamento adequado, drena espontaneamente material purulento.





4. DST`s causadas por vírus

INFECÇÃO POR HPV, VERRUGAS GENITAIS OU CONDILOMAS (designação popular - esponjas)

As verrugas genitais são provocadas pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV). Aparecem como pequenas lesões salientes na pele, às vezes semelhantes aos
"cravos" das mãos. No homem, as verrugas localizam-se no pénis e/ou à volta do ânus. Nas mulheres podem surgir à volta do ânus, na vulva, na vagina ou no colo
do útero. A via habitual de transmissão é a via sexual, embora haja casos em que a transmissão se faz por outras vias. Só podem ser tratadas pelo médico, de
preferência especialista, que utilizará métodos diversos como produtos químicos, laser, criocirurgia ou electrocoagulação para as destruir. Muitas vezes, as
verrugas voltam a surgir e o tratamento tem de ser repetido.
Nas mulheres, a infecção pelo HPV pode ocasionar o aparecimento de um cancro do
colo do útero, pelo que é muito importante que as mulheres com verrugas genitais sejam observadas em ginecologia e devidamente vigiadas



HEPATITE B

A hepatite B é uma infecção viral que ataca o fígado. O vírus vive no sangue, na saliva, no suor, no esperma e no corrimento vaginal. Muitos casos de hepatite
resultam da partilha de agulhas e seringas infectadas, mas a transmissão sexual é também frequente. O risco de contrair hepatite B é oito vezes superior ao de
contrair Sida.
A infecção pelo vírus da Hepatite B pode ser assintomática, isto é, não provocar qualquer queixa, ou ocasionar cansaço, náuseas e dores. Pode também aparecer
icterícia, o que faz com que o branco dos olhos e a pele se tornem amarelos e a urina fique muito escura, da cor do vinho do Porto.

A doença pode ser muito grave, até mortal, ou curar espontaneamente. Algumas pessoas infectadas ficam portadoras e transmissoras do vírus.

A hepatite é a única doença venérea contra a qual se pode ser vacinado.



HERPES GENITAL

É uma doença sexualmente transmitida provocado pelo vírus Herpes Simplex (HSV).

A doença manifesta-se pelo aparecimento na área genital de pequenas manchas avermelhadas, com sensação de queimadura, sobre as quais surgem pequenas bolhas
ou vesículas que ao fim de alguns dias rompem, ocasionando feridas que se cobrem de crostas. Em cerca de 1 a 2 semanas as lesões curam sem deixar cicatrizes.

O herpes genital é doença crónica recorrente, ou seja que evolui por surtos, sendo o intervalo entre eles variável. Há medicamentos que tratam as lesões de
herpes e prolongam os intervalos livres de doença. Não há ainda nenhum medicamento que cure definitivamente a infecção.

O herpes não é uma doença grave embora seja incómoda quando surge com intervalos curtos. Enquanto existirem lesões na pele ou mucosa genital há perigo de
contágio para o/a parceiro/a, pelo que a actividade sexual deve ser suspensa.
As mulheres grávida com história de Herpes Genital devem informar o seu médico sobre a doença, para que sejam tomadas as medidas necessárias para que não haja
contágio do bébé durante o parto.



5. DST´S provocadas por parasitas

PEDICULOSE PÚBICA (Designação popular - chatos)

Os piolhos do púbis são parasitas dos pêlos do púbis, à volta da vulva, do pénis e do ânus. Podem aparecer na roupa interior com pontos vermelhos ou
acastanhadas. O contágio pode ser por contacto sexual ou através da roupa.
É aconselhável rapar os pêlos do púbis, é mais higiénico e torna mais fácil o
controlo da doença, que deve ser tratada por um médico especialista. A roupa interior e a roupa da cama deve ser lavada e fervida.



ESCABIOSE (Designação popular- sarna)

A sarna é uma doença provocada por um parasita que se aloja na pele produzindo lesões que provocam comichão que aumenta com o calor da cama. A sarna apanha-se
por contacto sexual e por contacto com a roupa da cama, toalhas ou outras roupas de uma pessoa que a tenha. Os sintomas aparecem cerca de três semanas depois do
contágio e as lesões localizam-se preferencialmente nas mãos, punhos, à volta dos mamilos, nos genitais e nádegas. Deve ser feito o tratamento simultâneo do
doente e de todos os contactantes.



INFECÇÃO POR TRICOMONAS

As infecções por Tricomonas manifestam-se, nas mulheres, por um corrimento amarelado, por vezes de cheiro fétido, acompanhado de prurido intenso e ardor da
vulva. Nos homem estas infecções são na maioria dos casos assintomáticas, podendo haver ligeiro corrimento da uretra, por vezes com prurido.

A infecção por tricomonas pode contrair-se através das relações sexuais com um parceiro infectado. É necessário o tratamento do doente e dos seus parceiros
sexuais para erradicar a doença.



6. Que serviços que prestam cuidados de saúde na área das DST em Portugal ?

Em 1887 foi criada em Portugal a primeira consulta de "Moléstias Syphiliticas e Venéreas" por D. Thomaz de Mello Breyner, no Hospital do Desterro.

Em 1927 foi criado pelo decreto 14803 o Dispensário Central de Higiene Social de Lisboa e posteriormente foram criados serviços idênticos nos vários distritos do
país.

A extinção, na década de 80, dos dispensários centrais de Lisboa e Porto, constituiu um retrocesso na luta contra as doenças venéreas, porque não foram
substituídos por serviços com características semelhantes .



Os doentes com DST são observados nos Consultas de Dermatovenereologia dos Hospitais Centrais e Distritais, nas Consultas de Ginecologia, Urologia e nos
serviços de urgência. No Centro de Saúde da Lapa, em Lisboa existe uma Consulta de Doenças Sexualmente Transmissíveis aberta, sem marcação prévia, com
confidencialidade e gratuitidade dos meios de diagnóstico e tratamento.



7. As Doenças Sexualmente Transmissíveis na Era da Sida

O panorama epidemiológico do mundo moderno, com uma prevalência elevada de DST em certos grupos populacionais das grandes cidades, necessita de novas
abordagens, como sejam clínicas de DST satélites que permitam atingir as populações das periferias, ou mesmo clínicas móveis, que percorram os locais
onde estas consultas são necessárias. Porque os diversos problemas se interligam, as DST estão associadas a problemas de ordem económica e social, e
as políticas de saúde devem ser concertadas com programas de luta contra a pobreza e do tratamento da toxicodependência, entre outros.

São necessárias abordagens que permitam, por um lado, uma maior intervenção dos trabalhadores da saúde e dos médicos em particular e, por outro lado, que sejam
adaptadas às populações socialmente excluídas.

Os serviços clínicos de DST devem ser articulados com os Centros de Planeamento Familiar e com os Centros de Diagnóstico Anónimo da Infecção pelo VIH.

No limiar do século XXI, a solução para as DST não passa apenas pela prevenção dos comportamentos de risco individuais. As soluções médicas para o controlo das
DST não são suficientes, elas devem ser ligadas à identificação dos factores sociais responsáveis pela pandemia.


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